“Não completei a prova”, atletas relatam suas experiências de desistência

Redação Webrun | Outros · 24 set, 2014

Quando as competições ainda são novidades na rotina do corredor, muito se fala a respeito dos melhores percursos, calçados e superação em cada treino. Mas depois de adquirir certa experiência, vão surgindo novas adversidades, e a vontade de desistir seja no meio das atividades diárias ou em uma prova existe.

Felizmente, até os mais experientes passam por isso. Para desmitificar esse fantasma que assombra os esportistas, o Webrun conversou com atletas, desde o corredor de rua amador, até o trail runner e o Ironman, para compartilhar seus ensinamentos e contornar as dificuldades.

Foto: Arquivo Pessoal/Facebook Foto: Arquivo Pessoal/Facebook

Nome: Rosália Camargo Guarish

Profissão: Arquiteta e trail runner

Experiência: A primeira vontade de desistir aconteceu em 2011, na modalidade 50 quilômetros do Xterra de Mangaratiba. “Eu estava com apenas sete dias de descanso, já que havia participado do K42 de Bombinhas”. Segundo a atleta, desde a largada já sentia fortes dores musculares nas pernas, somadas ao fato de que correr a noite e a quilometragem eram novidades. “Nos primeiros dez, meu único pensamento era abandonar a prova”.

Como contornou: “O percurso logo mudou para uma subida radical em grama, então vencer aquele ‘paredão’ se tornou meu objetivo e me fez seguir adiante. Sempre vale a pena continuar, às vezes o pensamento da desistência é apenas reflexo do momento. É preciso ser forte e paciente”.

Por mais que o psicológico esteja treinado, às vezes o físico impede o término da competição. Rosália sabe bem o que é isso. “Na Transvulcania, nos 80 quilômetros na Ilha de La Palma, houve uma situação diferente. Depois de uma severa hipoglicemia, desmaiei. Faltavam apenas dez quilômetros para concluir o percurso e desistir não havia passado pela minha cabeça”.

Foto: Arquivo pessoal/Instagram Foto: Arquivo pessoal/Instagram

Nome: Christina Volpe

Profissão:Repórter (e atleta amadora, recentemente Christina completou sua primeira meia maratona)

Experiência: “Sempre senti vontade de desistir, principalmente nas primeiras provas. Quando o cansaço bate, seja em treinos ou em competição, é a cabeça que nos faz alcançar o final”.

Como contornou: “A recompensa é logo ali. Penso que o treino me deixou preparada para a prova e para ajudar, foco na medalha e no abraço das pessoas que me esperam na chegada. Sempre vale a pena o esforço”.

Foto: Arquivo Pessoal/Blog Foto: Arquivo Pessoal/Blog

Nome: Wilson Chan

Profissão: Gerente de Produtos e Ironman

Experiência: “Como seria se eu desistisse?”. Esse pensamento sempre persegue Wilson Chan, seja em provas mais curtas, de cinco quilômetros, até o Ironman. A Tecno Sport Run de 2007, em Londrina, ficou marcada para sempre em sua vida, afinal, foi a única prova em que realmente desistiu. “Seriam três voltas no Lago Igapó. Quando finalizei a segunda, resolvi ir para a chegada, já que havia muitos concluintes. Fui por diversão, sem meta e sem foco, apenas querendo o kit e a medalha.

Mas lembro dessa prova como um “fracasso”, já que fui desonesto comigo e com os outros”.

Como contornou: Em outras provas, o atleta contou com o próprio amadurecimento, do corpo e da cabeça, para não desistir. “Com os objetivos certos e treinos adequados, consegui completar todas. A maior lição que aprendi foi que a maior felicidade não está na competição em si, mas quando você a completa”.

“Muitas pessoas fazem uma analogia da corrida com a própria vida pessoal e profissional, das dificuldades no caminho, da dependência, da disciplina e da motivação das pessoas ao seu lado. Acredito nisso. E claro, se o objetivo da pessoa é festejar, não há nada de errado em não completar, todos merecem curtir a prova”.

De fato, desistir de uma prova não é sinal de fraqueza e sim de autoconhecimento. Afinal, ter disciplina para respeitar os seus limites e entender o seu corpo faz toda a diferença na vida do corredor. Por isso, não se desespere: a desistência não te deixará menos apto e não invalidará seus treinos. Estar em uma prova, acordar cedo, sentir o clima da corrida, trará mais benefícios do que ficar no sofá. Pense nisso.

Este texto foi escrito por: Camila Pissolito

Redação Webrun

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